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Garantia - O custo elevado da tranquilidade

Facilidade de cobertura por mais de um ano em caso de defeito pode se traduzir em prejuízo por preço alto de cada revisão programada, incluindo simples troca de óleo


Paula Carolina - Estado de Minas

Publicação: 25/04/2009 18:03 Atualização:

Primeiro foi a extensão da garantia de fábrica de um para dois ou três anos e até para cinco anos, em alguns casos, como das marcas Hyundai e Kia (conforme mostramos nas reportagens do Veja Também, no canto superior direito desta página). Depois, a tendência de tabelar as revisões em pacotes com preços fechados, procurando passar ao consumidor a ideia de que, ao comprar um carro zero quilômetro, já saberá quanto vai pagar em cada revisão. A moda pegou e vem se estendendo, pouco a pouco, por todas as marcas, a cada lançamento. Além da tranquilidade de estar coberto em caso de qualquer defeito, o consumidor tem, ainda, ampliado o valor de revenda do veículo, se desejar trocá-lo dentro do período de garantia.

Por outro lado, fica obrigado a fazer rigorosamente e dentro dos prazos estabelecidos todas as revisões programadas pelo fabricante, e somente em concessionária autorizada. Regra válida até para uma simples troca de óleo. E, com isso, fica aberta margem à cobrança de outros tipos de serviços, como a descarbonização do motor e limpeza dos bicos injetores, quase sempre cobrados pelas oficinas, mas que são - com raras exceções - completamente desnecessários e um assalto ao bolso do consumidor. Daí, a importância, cada vez maior, de ler o manual para saber exatamente o que é exigido em cada revisão programada.

Preço fechado
Os pacotes que incluem os serviços a serem realizados em cada revisão, quase sempre com a mão-de-obra incluída, começaram a ser adotados pela Peugeot, que inclusive disponibiliza os preços em sua página na internet. A marca foi seguida pela Citröen, na busca de desfazer a imagem de carro com manutenção cara. Deu tão certo que hoje quase todas já divulgam preços fechados. "O consumidor se sente mais seguro, já sabendo o quanto vai pagar em cada revisão. Isso é importante até para fidelizar o cliente", afirma o gerente de pós-vendas da concessionária Citröen Chamonix, Marcelo Maggi.

"Qualquer carro, independentemente de marca e modelo, se ainda estiver na garantia, tenho que pagar a mais por ele, pois, se ainda está na garantia, não vou ter trabalho", acrescenta o gerente de veículos usados da Fiat Roma, Antônio Carlos Borges (Toninho). A marca, por enquanto, tem somente o Linea, com três anos de garantia, o que nem sempre é um obstáculo. "Muitos clientes preferem uma garantia maior, mas existe aquele que troca de carro todo ano e não faz questão", pondera o gerente de novos da revenda, João Marcelo Sanches Miguel.

Opinião que é compartilhada pelo gerente de vendas da Peugeot Bordeaux, Francisco Albuquerque Neto. Todos os modelos da marca, à exceção do 407, têm garantia apenas de um ano. "A garantia maior pode ser boa por um lado, mas, se o dono se esquece de fazer uma das revisões, já era, perde a garantia. E, se não quiser pagar por todos os serviços descritos no manual, também perde."

Caro
A maior reclamação, no entanto, ainda diz respeito ao preço das revisões. "A propaganda diz 'preço fixo Ford', no valor de R$ 629,70, incluindo troca de óleo, filtros de ar e óleo, fluido de freio e velas. Mas me cobraram R$ 754,93, dando um desconto e arredondando para R$ 700", diz, indignado, o empresário Oty da Costa Lage Júnior. Seu desalento foi com os valores cobrados para a revisão dos 40 mil quilômetros de seu Ford Fusion, que tem garantia de três anos. Houve um erro na cobrança e a concessionária responsável ficou de lhe restituir o valor, mesmo assim, Oty espera que seu exemplo sirva de alerta para outros consumidores, que devem checar cuidadosamente no manual do veículo que serviços devem ser realizados a cada revisão, ficando atento aos valores estabelecidos para a verificação: "Quando a garantia era de um ano, pelo menos você ia só uma vez à concessionária. Agora, às vezes tem que ir até duas vezes por ano, para fazer uma revisão e ter o carimbo no manual, senão perde os direitos. O custo das revisões é muito alto e as concessionárias ganham muito".

Vantagens
Mas quem tem experiência com garantia maior só vê vantagens. A Toyota, que passou a adotar a garantia de três anos para o Corolla, logo que começou a produzir o carro no Brasil, tinha o objetivo de se livrar do estigma de "marca importada". No início, a decisão gerou polêmica, já que, pelas revisões, o consumidor era obrigada a pagar valores absurdos, em troca de manter os três anos de garantia. Depois de diversas denúncias, a marca passou a adotar preços compatíveis com o mercado.

"Havia uma certa insegurança, pois a Toyota ainda não era conhecida no país. E a garantia de três anos foi um fator decisivo para fazer com que o consumidor trocasse de marca e comprasse um Toyota", diz o gerente de serviços da concessionária Toyota Green Automóveis, Fernando Molla, lembrando que, atualmente, toda a linha Toyota tem garantia de três anos. Com relação ao fato de o consumidor ficar, por anos, preso à manutenção dada por revenda autorizada, ele acredita que não há inconveniente. "O valor da manutenção também ficou muito em conta e a tabela de serviços da Toyota mostra transparência. Além disso, fazemos pesquisas no mercado paralelo e nossos preços não fogem à realidade", afirma. "Se fosse uma revisão cara, com certeza o cliente estaria pagando pela garantia, mas não é o que ocorre."

COMO FUNCIONA

O período das revisões é determinado por cada fabricante e espaçado conforme quilometragem e/ou tempo de uso. No caso da garantia de três anos, que já se tornou prática comum, principalmente no segmento dos sedãs médios, normalmente deve ser feita de 10 mil em 10 mil quilômetros ou seis em seis meses, o que acontecer primeiro. As primeiras normalmente são básicas e incluem apenas troca de óleo e filtro de óleo e checagem de itens importantes como pastilhas de freio e nível de fluidos. Em alguns casos, também é feito alinhamento. As mais completas e, portanto, mais caras, normalmente, são somente a partir dos 40 mil quilômetros. Mas tudo varia conforme a marca e modelo do veículo, devendo ser checado minuciosamente o manual, antes de se procurar a concessionária. Os preços, de fato, especialmente quando se fala em apenas troca de óleo, são altos, pois giram em torno de R$ 100 a R$ 300 e, normalmente, é usado o óleo semissintético, que é mais caro. Veja o que dizem as montadoras no quadro abaixo.

CUSTO DE CADA MARCA

Chevrolet
Três anos para Vectra e Captiva; dois anos ou 100 mil quilômetros para S10; um ano ou 50 mil quilômetros para os demais. As revisões passaram a ser, este ano, de 10 mil em 10 mil quilômetros, sendo obrigatória uma troca de óleo a cada 5 mil quilômetros ou seis meses. Os preços não são tabelados, mas a primeira revisão tem mão-de-obra gratuita (material por conta do cliente).

Citroën
Três anos para o C4 pallas (foto); dois anos para o C3 e o Picasso; um ano para o Grand C4. Revisões são a cada 10 mil quilômetros ou um ano. Os preços são tabelados e variam de R$ 243 a R$ 444, para o C3; e de R$ 330 a R$ 459, para toda a gama C4.

Fiat
Três anos para o Linea; um ano para os demais. As revisões não são tabeladas e devem ocorrer a cada 15 mil quilômetros ou dois anos; sendo obrigatória uma troca de óleo a cada 7,5 mil quilômetros ou um ano.

Ford
Três anos para o Fusion, o Novo Focus e o Edge; dois anos para a F-250 e a Ranger; um ano para o resto. As revisões são a cada 10 mil quilômetros ou seis meses e os preços estão tabelados e podem ser divididos em três vezes, sem juros. Para o novo Ka, por exemplo, vão de R$ 134,70 a R$ 509,70; enquanto para o Fusion, de R$ 209,70 a R$ 629,70, e o Novo Focus, de R$ 179,70 a R$ 629,70.

Honda
Três anos e revisões a cada 10 mil quilômetros. Os preços das peças são tabelados e o da mão-de-obra é livre, sendo gratuita (peças por conta do consumidor) nas duas primeiras. No caso do New Fit, por exemplo, em Belo Horizonte a revisão mais em conta varia de R$ 119,38 a R$ 124,52, conforme a concessionária; e a mais cara, de R$ 1.365,95 a R$ 1.658,57; e do New Civic, de R$ 95,17 a R$ 124,52; e de R$ 1.221,57 a R$ 1.320,39.

Hyundai

Cinco anos, exceto para o caminhão HR, que tem quatro. As revisões devem ser feitas a cada 10 mil quilômetros ou um ano. Os preços não são tabelados, mas o tempo gasto para cada revisão é determinado pela marca. Como exemplo, em Belo Horizonte, encontramos como menor preço para o Tucson 2.0 R$ 160 para a primeira revisão; e como maior R$ 1.724, para a dos 100 mil quilômetros.

Kia

Cinco anos para motor, caixa de câmbio e pane elétrica, para toda a linha, exceto para o utilitário Bongo, que tem três anos. Também devem ser feitas revisões a cada 10 mil quilômetros. Os valores ainda não são tabelados. Em Belo Horizonte, encontramos, para o Sportage, de R$ 337, para a primeira revisão, a R$ 1.418, para a dos 60 mil quilômetros.

Mitsubishi
Três anos para a L200 Triton (a partir do ano/modelo 09/09), Pajero Full e Outlander; dois anos para os demais. As revisões são a cada 10 mil quilômetros ou seis meses. Para uma L200 Triton a gasolina, por exemplo, vai de R$ 319 a R$ 2.053 (preço somente da oitava revisão).

Nissan
Três anos para o Sentra, o Tiida (ampliada recentemente) e a Frontier; dois anos para os demais. As revisões devem ser feitas a cada 10 mil quilômetros. Os valores são fixos, variando a mão-de-obra por região do Brasil. No caso do Sentra e do Tiida, por exemplo, em Belo Horizonte vão de R$ 300,80 a R$ 1.087,60.

Peugeot
Um ano para todos os modelos, exceto o 407, que tem dois anos. Para veículos fabricados a partir do ano/modelo 07/08, a primeira revisão ocorre aos 10 mil quilômetros, sendo as demais a cada 20 mil quilômetros. A revisão básica custa de R$ 225 a R$ 413, conforme o modelo; a intermediária, de R$ 419 a R$ 641; e a avançada, de R$ 519 a R$ 758.

Renault
Três anos para o Logan, o Sandero e o Mégane; dois anos para a Scénic; um ano para os demais. As revisões são também de 10 mil em 10 mil quilômetros e os preços são tabelados. No caso do Logan, por exemplo, variam de R$ 119 a R$ 382.

Toyota
Garantia de três anos. As revisões dependem de cada modelo. Mas, de maneira geral, é determinada uma troca de óleo a cada 5 mil quilômetros (que custa de R$ 150 a R$ 222, com o filtro), além de uma revisão a cada 10 mil. As revisões do Corolla, por exemplo, vão de R$ 165,55 (a mão-de-obra é gratuita na primeira) a R$ 608, tendo como base os valores mais baixos e mais altos encontrados nas concessionárias de Belo Horizonte, já que o preço das peças é fixado pela Toyota, mas a hora cobrada pela oficina é livre.

VW
Um ano de garantia total mais outros dois para motor e caixa de câmbio. A primeira revisão é com seis meses ou 10 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro, e assim por diante; exceto para o Novo Gol e o Voyage, que é com um ano ou 15 mil quilômetros. Campanha promocional da marca tabela a primeira e a segunda revisões de todos os modelos (exceto importados) em três parcelas de R$ 55. Para o Novo Gol e o Voyage, no entanto, o preço só é válido para a primeira revisão. No caso da garantia adicional de motor e caixa, a fábrica afirma valer para componentes internos, sem especificá-los, o que acaba dando margem à isenção de responsabilidade em situações nas quais, de fato, se precise da cobertura.

Obs.: Sempre que se fala em tempo ou limite de quilometragem, a revisão tem que ser feita da forma que vencer primeiro.

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