Avaliamos o sedã mais econômico do Brasil

O Renault Logan Expression conta com novo motor 1.0 de 3 cilindros, equipamentos honestos e abusa da economia. Durante o teste, marcou 16,2km/l dentro da cidade

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postado em 06/09/2017 17:36 Geison Guedes /Especial para o Correio

Dianteira do Renault Logan  - Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press Dianteira do Renault Logan
 

Na década de 1960, a Volkswagen apresentou o Fusca Pé de Boi, uma versão totalmente “pelada” do carro. O objetivo era alavancar as vendas com uma opção mais barata. Com isso, a montadora tirou diversos equipamentos do modelo. Entre outras coisas, a tampa do porta-luvas, os espelhos retrovisores, o rádio, saídas de ar internas, o marcador de combustível e até as luzes de setas foram retiradas. O veículo não fez o sucesso esperado, mas o nome marcou toda uma geração. A partir dele, todo modelo de entrada era chamado pelo público de pé de boi.

Até pouco tempo, ar-condicionado, trava e vidros elétricos, alarme e computador de bordo eram considerados luxos em modelos de entrada. Os Pés de Bois modernos não chegam “aos pés” do Fusca, mas eram tão depenados quanto. No entanto, o consumidor ficou mais exigente e passou a cobrar por mais equipamentos nos carros. Com isso, os veículos “pelados” não estão mais tão despidos assim. É o caso do Logan 1.0 Expression, uma das versões mais em conta do sedã compacto francês. Mas que nem por isso deixa de ter alguns mimos.

A versão vem equipada com ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, direção eletro-hidráulica, travas elétricas, vidros dianteiros com função one touch, computador de bordo, indicador de troca de marcha, alarme, rádio com bluetooth e controles no volante. O preço inicial é de R$ 48 mil. Ele ainda conta, como opcional, com central multimídia com navegador e tela de sete polegadas e sensor de estacionamento, por mais R$ 1,9 mil. O motor da versão testada é o novo 1.0 SC de três cilindros e 82 cavalos, com câmbio manual de cinco velocidades.

Motor do Renault Logan  - Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press Motor do Renault Logan

Novo motor traz mais economia

A única novidade no Logan é o motor. Apresentado no fim do ano passado, a linha SCe substituiu os propulsores 1.0 e 1.6 nos modelos da francesa. O de mil cilindradas agora gera 82 cavalos de potência (dois a mais que o antigo) e 10,5kgfm de torque com etanol. As mudanças podem parecer poucas, mas são substanciais. O SCe alcança 100% do torque em apenas 3.500rpm, o que é considerado baixo para motores aspirados. Outra questão é que em 2.000rpm ele utiliza 90% dos 10,5kgfm. Dessa forma, otimiza a condução.

O ponto principal do novo motor é a economia. E isso ele faz com maestria. Pelos números oficiais do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), ele deveria fazer 13,8km/l com gasolina na cidade. No entanto, durante o teste ele fez, em média, 15,7km/l, em alguns momentos chegou a marcar 16,2km/l. Os números são realmente impressionantes e, com certeza, dão ao Logan o título de sedã mais econômico do país, sem contar modelos híbridos, como o Ford Fusion e o Toyota Prius.

Mas, aí, você pode pensar, por ser econômico ele é fraco, certo? Errado. Graças ao grande volume de torque em baixa rotação, o motor é bem esperto e deixou o sedã ligeiro. As manobras são feitas sem sustos — dentro das limitações do propulsor 1.0, claro — mas mesmo assim de forma segura. O câmbio tem engates precisos e auxilia na otimização da condução. Outro ponto interessante e bastante comum em motores de três cilindros é o baixo ruído. Mesmo em altas rotações ele não urra muito, o que melhora a vida a bordo.

A suspensão independente tipo McPherson na dianteira e semi-independente com molas helicoidais na traseira — mesmo sem ter sofrido alterações — é bem justa. O sistema absorve bem as imperfeições do asfalto (que não são poucas) e não repassa as oscilações para a cabine e para os ocupantes. A direção eletro-hidráulica dá uma leveza a mais no volante, não é igual às puramente elétricas, mas é bastante confiável.
Traseira do Renault Logan  - Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press Traseira do Renault Logan

Honestidade à prova

No geral, o Logan é bem honesto. Os materiais não são exatamente os melhores, é plástico duro para todo lado, mas o acabamento é correto. Enquanto o design não é esse primor todo — mas tem quem goste —, o espaço interno é absurdo. O sedã leva cinco pessoas sem aperto. O porta-malas, de 510 litros,é  um dos maiores da categoria.
Porta-malas do Renault Logan  - Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press Porta-malas do Renault Logan

Um detalhe surpreende no Logan, principalmente na versão Expression: os equipamentos. Ele conta com amortecedor na tampa do capô. A versão testada vem com o Media Nav, que é opcional. Mas, em contrapartida, o ajuste dos retrovisores é manual. O porta-malas não conta com abertura por comando na chave, a tampa do compartimento de carga não tem nenhum tipo de revestimento, é na lata aparente, já o capô conta com uma manta isolante, que auxilia na hora de abafar os ruídos gerados pelo motor.


Ficha técnica

    Motores: 1.0 de 82cv a 6.300rpm e torque de 10,5kgfm a 3.500rpm (e) e 79cv a 6.300rpm e torque de 10,2kgfm a 3.500rpm (g)
    Dimensões: 4.349mm de comprimento; 1.529mm de largura; 1.733mm de altura e 2.635mm de entre-eixos;
    Transmissão: manual de 5 velocidades
    Direção: eletro-hidráulica
    Porta-malas: 510 litros
    Suspensão: independente na dianteira e semi-independente na traseira
    Pneus: 165/65 R15
    Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira
    Consumo: 15,7km/l na cidade
    Preço: R$ 48,1 mil

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