WR-V: Compacto com preço de grande

Experimentamos a versão topo de linha do SUV supercompacto. O carro esbanja espaço interno, mas pesa no preço. Por R$ 83,4 mil, ele deixa a desejar na lista de equipamentos

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Dianteira do Honda WR-V - Fotos: Honda/Divulgação Dianteira do Honda WR-V

Quando uma montadora estabelece R$ 83,4 mil em um carro zero, é lógico pensar que se trata de um modelo completão ou premium, certo? Nem sempre. Por esse preço, esperamos um veículo com abertura das portas e partida sem a chave, start/stop, auxiliar de partida em rampa, sensor de chuva e crepuscular, ar-condicionado automático, controle de tração e estabilidade e bancos de couro, no mínimo.

Testamos a versão EXL do Honda WR-V, que custa esse valor e não tem nenhum dos itens citados, sem falar na ausência de abertura do porta-malas na chave e one touch nos vidros (apenas o do motorista conta com a possibilidade de abrir com um toque). Mesmo assim, o modelo está se saindo bem nas vendas, até o momento já foram comercializadas 12.490 unidades. Mas, então, se o SUV supercompacto da montadora japonesa não tem nenhum desses equipamentos, ele tem o quê?

A versão topo de linha do modelo vem com itens básicos: ar-condicionado, vidro e trava elétricos. Além desses, ele conta com central multimídia com tela de sete polegadas e navegador, câmera de ré, sensor de estacionamento, seis airbags e luz de circulação diurna em LED. Sobre o conjunto mecânico: motor 1.5 de 115 cavalos, transmissão automática CVT e direção elétrica. Resumindo, falta muita coisa para justificar os mais de R$ 80 mil.
Traseira do Honda WR-V - Fotos: Honda/Divulgação Traseira do Honda WR-V

Igual, mas diferente

O WR-V literalmente inaugurou a categoria, ele foi o primeiro utilitário supercompacto do país — o segundo foi o JAC T40. A base do SUV foi o Fit, mas não se trata de um modelo aventureiro do monovolume.O exterior tem identidade própria, já o interior é bem parecido com o Fit na versão anterior ao facelift feito no segundo semestre. A dianteira é curta e volumosa. Os apliques de plástico nos para-choques e saias laterais e os detalhes cromados na dianteira contribuem para o visual off-road. Mesmo assim, é um modelo discreto, que não chama muita atenção na rua.

O interior tem dois pontos totalmente contrários, um positivo e outro negativo. O lado bom é o espaço interno e a quantidade de porta-objetos. Para se ter uma ideia, apenas na parte frente são 12 nichos, é praticamente um closet, pela quantidade de objetos que cabem nele. Além disso, quatro adultos viajam com extremo conforto, mesmo se o motorista for grande, sobra uma boa área para as pernas do ocupante de trás. Porém, os materiais utilizados no acabamento deixaram a desejar. É plástico duro para todos os lados. E não há opção de banco de couro. É preciso avaliar que é um modelo de mais de R$ 80 mil, merecia um cuidado maior.

Outro ponto positivo do WR-V é o sistema de bancos Ultra Seat. Nascido no Fit — e presente também no HR-V, SUV compacto da marca —, o item permite configurar os assentos de várias formas. Ele não rebate apenas o encosto do banco traseiro, que é bipartido, mas também o assento. Com isso, é possível levar objetos maiores sem se preocupar em deixar alguma parte para fora. O modo Utility permite também formar uma superfície plana, que amplia o espaço útil do porta-malas para mais de mil litros.
Interior do Honda WR-V - Fotos: Honda/Divulgação Interior do Honda WR-V

Sobra estilo e falta potência


Os percalços do pequeno SUV não ficam nos materiais de acabamento e na lista de equipamentos. O conjunto mecânico também deixa a desejar, principalmente por causa do câmbio CVT. Como toda transmissão variável, ela demora a responder e urra com facilidade. Para o utilitário desenvolver é preciso pisar fundo no acelerador e, com isso, o giro sobe, passando da casa das três mil rotações, contribuindo muito para o excesso de barulho. Um lado positivo é que não existem trancos, até porque não há trocas de marcha.

As saídas, ultrapassagens e retomadas de velocidade são feitas com esforço. Não só por causa do câmbio, o motor também não é essa maravilha toda de potência. São apenas 116 cavalos no etanol e 115 com gasolina, com 15,3kgfm e 15,2kgfm de torque. Outro ponto negativo foi o consumo. Durante o teste ele fez média de 10,9km/l com combustível a base de petróleo. Um pouco abaixo do estimado pela montadora, que é de 11,7km/l na cidade.
Motor do Honda WR-V - Fotos: Honda/Divulgação Motor do Honda WR-V

Um quesito interessante é a suspensão. Em vias de calçamento e de terra, com várias irregularidades na pista, ela trabalha muito bem, otimizando o conforto a bordo. Agora, em áreas com asfalto ruim (que não faltam no Distrito Federal), ele não fica tão confortável, as imperfeições são repassadas para a cabine. Até entendemos que não é culpa do carro, afinal, a capital do país deveria ter vias com asfalto perfeito. Se as pistas fossem lisas, sem problemas, a suspensão não teria nenhum esforço adicional.

Juntando os pontos

Sem contar todos os itens que o WR-V deveria ter e não tem, o SUV ainda conta com um número razoável de equipamentos. A questão é que o carro deveria custar menos — bem menos. Além disso, os que estão presentes não são lá essas coisas. A central multimídia tem até navegador e câmera de ré, mas o layout é muito simples, antiquado. Lembra muito os primeiros GPSs. Outro ponto é a câmera, a visualização é bem ruim. Se estiver chovendo, não dá para ver direito, se estiver muito sol, também não. Assim, o item acaba sendo subutilizado.


Ficha técnica

    Motores: 1.5 de 116cv a 6.000rpm e torque de 15,3kgfm a 4.800rpm (e) e 115cv a 6.000rpm e   torque de 15,2kgfm a 4.800rpm (g)
    Dimensões: 4.000mm comprimento; 2.076mm largura; 1.599mm altura e 2.555mm distância entre-eixos;
    Transmissão: automática CVT
    Direção: elétrica
    Porta-malas: 363 litros
    Suspensão: independente tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
    Pneus: 195/60 R16
    Freios: disco na dianteira e tambor na traseira
    Consumo: 10,9km/l na cidade com gasolina
    Preço: a partir de R$ 83,4 mil
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10 de dezembro de 2018