Fórmula E: como funciona a corrida que promete reinventar o automobilismo

A competição de carros 100% elétricos mostra quais caminhos o Brasil deve percorrer para se tornar o maior mercado da América Latina

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postado em 05/02/2018 17:51 / atualizado em 06/02/2018 23:31 Clayton Sousa /Vrum Brasília
Quem está acostumado com o ronco dos motores da Fórmula 1 estranha. Quase não se ouve barulho vindo da pista. Passa um piloto, passa outro e, daí, você percebe que está mesmo em outro mundo — mais moderno e conectado com o meio ambiente. Estamos falando da Fórmula E, um choque para muitos de nós, dependentes do petróleo até na hora da diversão.

Os carros, completamente elétricos, são capazes de chegar aos 225km/h. O único problema é que a bateria não dura toda a prova. Próximo da 15ª volta, o piloto faz um pit stop e, em vez de fazer o recarregamento, ele troca de máquina — com custo estimado em R$ 2,8 milhões — e sai, praticamente, voando.
Fórmula E em Santiago, Chile - ABB/ Divulgação Fórmula E em Santiago, Chile

A competição

A Fórmula E é uma categoria muito nova, começou em Pequim, em 2014. Este ano, 20 pilotos de 10 equipes participam da 4ª temporada. No último sábado, 3/2, Santiago, no Chile, recebeu a 4ª corrida. A pista foi montada no centro da capital chilena, com 12 curvas distribuídas em 2.460 metros. A largada ocorreu na Avenida Santa Maria, passando pelo Rio Mapocho, Praça Baquedano e Forestal Park, retornando à Avenida Santa Maria.

Vista área da cidade de Santiago, no Chile  - ABB/ Divulgação Vista área da cidade de Santiago, no Chile

De olho na pista e nos telões, mais de 12 mil pessoas com ingressos nas mãos. Fora as milhares que disputavam espaço nas calçadas e sacadas de prédios vizinhos. Depois de muitas silenciosas aceleradas, derrapadas e acidentes, os campeões foram Jean-Eric Vergne, Andre Lotterer e Sebastien Buemi. Os brasileiros Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi não tiveram bom desempenho e terminaram em 6º e 17º lugares, respectivamente.
Campeões da 4ª Rodada da Fórmula E, no Chile  - Clayton Sousa/ Vrum Brasília Campeões da 4ª Rodada da Fórmula E, no Chile

A próxima etapa da Fórmula E será  no dia 17 de março, em Punta del Este, no Uruguai. Máquinas e pilotos serão testados no limite ainda por mais sete vezes. A competição passará por Itália, França, Alemanha, Suíça até chegar aos Estados Unidos em 15 julho, para a última prova da temporada 2017/2018 em Nova York.

 

Mobilidade elétrica: uma revolução acelerada

 

Mais do que uma nova paixão de entusiastas por velocidade, a Fórmula E é um laboratório milionário de tecnologias — muitas delas já em uso mundo a fora. Aqui o assunto não é sobre velocidade, mas sim sobre autonomia. Outro desafio para a disseminação de veículos livres da dependência dos postos de combustíveis, principalmente em países emergentes como o nosso, é a falta de infraestrutura. O recarregamento das baterias não é realizado apenas em casa. Ele precisa ser feito, também, em shoppings, supermercados, restaurantes e até em estradas.

Carro durante a Fórmula E em Santiago, no Chile  - ABB/ Divulgação Carro durante a Fórmula E em Santiago, no Chile

A multinacional ABB, líder nesse tipo de mercado, tem cerca de 6.000 carregadores ultrarrápidos espalhados por 57 países (dois entre as cidades de São Paulo, Campinas e Jundiaí, com uso gratuito). Com esses dispositivos, em quatro horas, um carro consegue carga suficiente para rodar, em média, 200 quilômetros. Achou o tempo longo? A empresa suiço-sueca apresentou, há cerca de duas semanas, uma nova versão do equipamento capaz de fornecer energia para 100 quilômetros, em apenas quatro minutos ligado à tomada. Com 12 minutos, você terá a bateria cheia. Detalhe: a invenção custa aproximadamente R$ 80 mil. O preço pode ser pago pelos fornecedores de energia, como a Companhia Energética de Brasília (CEB), ou investidores interessados em cobrar pelo serviço.

No entanto, este modelo de negócio ainda depende de uma regulação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

Carregador ultrarrápido para veículos elétricos  - Clayton Sousa/ Vrum Brasília Carregador ultrarrápido para veículos elétricos

A grande novidade, em meio a tudo isso, é que o Brasil pode ser o maior mercado da América Latina, dentro de três ou cinco anos. “Temos conversas avançadas, com vários parceiros para a instalação de carregadores rápidos. O carro elétrico é o futuro e um futuro muito próximo”, destaca Paolo Pescali, Diretor de Produtos de Eletrificação para a América da ABB.

O avanço dessa rede promissora e ainda desconhecida depende, ainda, de inúmeras outras variáveis: incentivos por parte do governo, popularização das tecnologias (quanto mais carros vendidos, mais baratos eles se tornam), além da disseminação da nova cultura. O importante é que existe, sim, uma luz no fim do túnel, mais eficiente, limpa e renovável.

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