Mercado brasileiro de veículos volta a subir depois de quatro anos de recessão

Com alta na casa dos 10%, o setor conta com a retomada da economia para continuar com números positivos em 2018

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postado em 04/01/2018 22:43 / atualizado em 06/01/2018 00:59 Geison Guedes /Especial para o Correio
Fábrica da Fiat  - Divulgação/ Fiat Fábrica da Fiat

O ano de 2017 foi recheado de lançamentos, a maioria deles de SUVs. A quantidade de utilitários dominando as ruas é tão grande que foi possível fazer uma lista de novidades apenas deles. O segmento é, de longe, o que mais cresce no país — e no mundo. Mas a boa notícia é que não foi apenas essa categoria que subiu, mas todo o mercado. O ano passado foi de retomada das vendas, após quatro anos de recessão. A expectativa é que 2018 seja tão positivo quanto.

Obviamente, os SUVs foram os grandes responsáveis pelo aumento das vendas em 2017. O segmento representa quase 22% do total. Para se ter uma ideia do crescimento da categoria, no acumulado de janeiro a novembro de 2016, ela representava 17,89% do total. No mesmo período do ano passado, pulou para 21,99%. Um aumento significativo. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o setor que detém a maior fatia do bolo é o de hatches compactos (representado, principalmente, pelos três primeiros mais vendidos), com 26,87%. Se mantiver este ritmo, em pouco tempo os utilitários serão os líderes de venda.

Os números finais de 2017 ainda não foram liberados. Mas o acumulado até novembro mostra um ano bem acima das expectativas. No fim do primeiro semestre, a esperança da Fenabrave e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) era que o aumento nas vendas ficasse entre 4% e 4,3%. No entanto, o resultado “final” foi muito mais otimista do que o esperado e deve ficar na casa dos 9% a 9,9%. Para 2018, a expectativa é de um aumento de 10% a 15% em relação ao ano passado.
Fábrica da Jaguar Land Rover  - Divulgação/ Jaguar Land Rover Fábrica da Jaguar Land Rover

Ano positivo

Para ter um saldo positivo nas vendas, são necessários diversos fatores, o principal deles é a situação do país. O Brasil vem de uma grave crise institucional, governamental e econômica. O que afetou todos os setores da economia, muito sentida no segmento de automóveis, que despencou de 3,8 milhões de emplacamentos em 2012 (recorde histórico) para quase metade em 2016 com 2,050 milhões de unidades vendidas, o pior ano em mais de uma década.

Mas 2017 mostrou ser o ano da retomada. E não só para área de veículos, mas para a maioria dos setores da economia. Para Antônio Megale, presidente da Anfavea, o crescimento se deve a diversos fatores, mas o mais importante é a forma como a equipe econômica do governo federal tratou a economia do país. “As ações do governo permitiram uma queda na inflação e nos juros básicos”. Segundo ele, essas reduções permitiram que as pessoas sanassem suas dívidas e realizassem novas aquisições. “A confiança do consumidor em dias melhores ajuda, e muito, na retomada da economia e, consequentemente, no crescimento das vendas de veículos”, aponta.

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, corrobora com Megale. Para ele, a retomada da economia é fundamental para o crescimento no setor de automóveis. “A alta nos índices de confiança e a contínua queda na inadimplência, que registrou o menor índice desde 2011, fez com que o comprador voltasse às concessionárias. O aumento da oferta de crédito também tem impulsionado o crescimento do mercado neste momento e incentivado o cliente a efetivar sua compra”, afirma.

De acordo com o Megale, um fator determinante que aponta que a economia do país está “voltando para os trilhos” é o aumento nas vendas de comerciais leves e caminhões. Para ele, o crescimento nesses dois segmentos aponta que o mercado está reaquecendo. “O aumento das vendas de caminhões leves e grandes mostra que a cadeia produtiva do país está em pleno funcionamento e que a demanda cresceu de tal forma que é necessário um maior número de veículos circulando”. De janeiro a novembro de 2017, os dois setores subiram 5,32% e 0,10% respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fábrica da Mercedes-Benz  - Divulgação/ Mercedes-Benz Fábrica da Mercedes-Benz

Brasil abriga melhorias

Outro fator importante para o crescimento nas vendas de veículos, segundo Antônio Megale, foi a alta no número de exportações. Até novembro, o Brasil enviou 750 mil automóveis para fora do país, um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2016. “Os produtos brasileiros evoluíram muito nos últimos cinco anos. Agora, brigamos de igual para igual com os europeus e, por estarmos mais perto, é mais vantajoso importar do Brasil do que da Europa”, aponta.

Megale afirma que as exportações são vitais para o aumento da produção brasileira. A expectativa é que, em 2018, os números passem da casa das 850 mil unidades vendidas para o exterior. E que, com isso, a produção brasileira ultrapasse a barreira dos três milhões de unidades. “Em dois ou três anos, os números da exportação devem alcançar um milhão de veículos, mas sempre dependendo da saúde econômica dos países vizinhos, principalmente Argentina, Uruguai e Chile e também México. Além disso, as montadoras estão cada vez mais se abrindo para as exportações, o que ajuda muito no aumento da produção.”

Agora, não adianta a economia “voltar para os trilhos”, o poder de consumo melhorar e a cadeia produtiva retomar o crescimento se não houver novidades no setor automotivo. Como vimos, 2017 teve lançamentos importantes, e esse é outro fator importante para melhorar as vendas. “O brasileiro gosta muito de carro e de novidade. Até por isso as montadoras devem continuar apostando em novos modelos. Atualmente a demanda está muito grande por conectividade, e as empresas precisam focar esse tipo de tecnologia”, declara Antônio Megale.

Não é só para exportar que as melhorias são importantes, para o mercado interno também. Segundo o executivo, o nível dos nossos carros está subindo, principalmente nos quesitos segurança e tecnologia. “Os veículos brasileiros estão muito próximos dos europeus, em diversos casos, estão em pé de igualdade com os do velho continente. A evolução tecnológica é grande, o que dá maiores possibilidades de compra para os consumidores”. Em 2018, como esperado, o setor continuará apresentando diversas novidades, separamos 10 modelos que devem surgir até dezembro, confira no 10+ desta semana, nas páginas 12 e 13.

Rota 2030

Na virada do ano, o Inovar-Auto — planos de regras e metas sobre o setor automotivo brasileiro —, que, entre outras coisas, limitou o número de importações, sobretaxando o excedente e melhorando os números de consumo e de emissões de poluentes, chegou ao fim. No lugar dele será implantado o Rota 2030, em fase final de desenvolvimento/planejamento pelo governo federal.

O plano conta com diversos fatores, muitos oriundos do Inovar-Auto. O ponto mais controverso do antigo projeto, de alíquotas maiores para veículos importados, foi retirado. O Rota 2030 deverá abordar os seguintes temas: otimizar ainda mais os números de eficiência energética, focar o desenvolvimento de modelos menos poluentes e cobrar impostos de acordo com os números de consumo; definir um cronograma para a inclusão de novos sistemas de segurança, como a obrigatoriedade dos controles de tração e estabilidade; apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias; a criação do programa nacional de inspeção veicular, já efetivado, e que deve ser obedecido até o fim de 2019.

Para Antônio Megale, o Rota 2030 trará maior visibilidade e previsibilidade para o setor automotivo nos próximos 15 anos. “A inspeção veicular obrigatória no país todo até 2019 já é uma conquista de um dos pilares do Rota. Isso já mostra que o programa pode ser um sucesso. Outros dois pilares são os fatores de segurança (que já estão sendo adotados) e o apoio às pesquisas”, aponta. Segundo ele, são necessários marcos regulatórios objetivados principalmente nesses três pilares (segurança, tecnologia e eficiência energética). “Obedecendo essas premissas, a indústria automotiva brasileira tende a se fortalecer cada vez mais e poderá ter um avanço nos veículos produzidos e comercializados no país.”

O fim do do Inovar-Auto e o início da Rota 2030 também podem contribuir para o aumento das vendas de veículos no Brasil. Isso porque marcas que não contam com fábricas no país ficaram limitadas a um número de vendas. Com o fim da barreira, já é certo que a Kia, a SsangYoung e JAC, entre outras, vão apresentar inúmeros veículos no país, como o Rio, Tivoli e T20. Procurada, a Associação Brasileira das Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), principal atingida pelas diretrizes econômicas do Inovar, informou que vai se pronunciar apenas após a aprovação do Rota pelo governo.
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